Posfaciar estas páginas não é concluir uma história, mas abrir portais para que a memória continue a ecoar como o canto do mutum. Dom Aquino não é mero ponto no mapa: é raiz que sustenta, vento que sopra o devir e extensão da alma de quem chegou, ficou, partiu ou ainda pertencerá. Das Pombas ao Rio São Lourenço, das casas de barro às praças cheias de vozes, das rezas às quermesses, das escolas às festas — tudo se entrelaça, formando a tapeçaria de um povo que fez da memória o seu aconchego. A autora nos conduz por um território que é mais que geografia, história e emoção. Dom Aquino pulsa como coração coletivo, mosaico de nomes, famílias e afetos. Não é passado distante, mas tecido vivo costurado no presente. Se nasceu do sonho das riquezas minerais, encontrou sua essência no cultivo da terra, no comércio, na fé, na coletividade. Este livro não termina. Ele ecoa como o sino da matriz, como o riso na praça, o vento a esculpir os cânions e Morro do Índio. Assim, Dom Aquino se afirmar como espelho de identidades, espaço onde o tempo não aprisiona, mas liberta. E ao encerrar estas páginas, permanecemos lado a lado com a memória — que não é ruína, mas fonte viva. Não é fim, mas travessia. Este livro é chamado. Que o leitor descubra: cada cidade é feita de narrativas inesgotáveis. Porque recordar não é trancar o tempo, mas abrir-lhe janelas — e voltar a caminhar, passo a passo, pelas ruas de terra, brisas e afetos
Gilda Portella
Escritora, multiartista
Mestra em Estudos De Cultura Contemporânea/UFMT
Lidiane Álvares Mendes